Chuto traz história da “estrela” que brilha em Portugal

Chuto traz história da “estrela” que brilha em Portugal

O internacional santomense Jair Nunes do Espírito Santo, actualmente no Lusitano de Évora de Portugal, conta à Chuto os seus primeiros passos até chegar ao clube português, bem como a sua passagem pela selecção e a recente ausência na lista dos convocados do mister Gustavo Clemente, para operação Madagáscar.

Chuto: Jair, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Sabemos que estás a viver um sonho de miúdo. Antes de falar do teu estado de espírito neste momento, queremos que reveles como foi o teu percurso até chegar ao Lusitano?

Jair: O meu percurso começou na Escola de Futebol de São Tomé e Príncipe, em seguida experimentei alguns clubes do nosso campeonato, até 2010. Neste mesmo ano, deixei o país, e rumei ao Brasil, para representar o Clube Atlético de Alagoinhas, na Bahia, onde joguei uma época e meia, juntamente com os santomenses, José da Silva e o Cerqueira Lima.

Regressei em 2011. Meses depois fui convidado para jogar no emblema mais carismático da ilha, Sporting de Praia Cruz, onde acabei por ser muito feliz, ganhando tudo, tanto ao nível colectivo (Campeonato, Taça e Super Taça), bem como individual, onde por diversas vezes fui o melhor artilheiro e eleito melhor jogador do campeonato. Devo muito a este clube.

Ainda ao serviço de Praia Cruz, surgiu o convite de um empresário que falou comigo para eu fazer parte de Lusitano. Juntamente com o meu agente analisamos o convite, e então resolv aceitar e estou cá, também a cumprir o meu maior sonho que é jogar fora do arquipélago, mas em Portugal.

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C: Tens muita saudade de Praia Cruz?   

J: Tenho sim. Mas o que tenho mais saudade é forma como os adeptos da Praia cruz viviam os jogos da equipa, motivando e algumas vezes cobrando os jogadores, como é normal quando a equipa não produz. Contudo essa postura dava-nos força para superar as grandes barreiras e construir um conjunto forte e vencedor.

 

C: Em Portugal, como está a ser a tua experiência no Lusitano?

J: Os primeiros tempos foram algo complicado pela exigência física e táctica a que não estamos habituados em São Tomé. Agora já entendo melhor as exigências em campo, participo mais no esforço colectivo e tenho vindo a subir de rendimento.

C: Fala-nos um pouco de como foi o teu estágio no Vitória de Guimarães?

J: Foi fantástico! É um clube de topo, com uma organização de nível europeu e onde qualquer jogador gostaria de jogar.

C: Como surgiu esta oportunidade de 15 dias no Guimarães?

J: O Lusitano tem várias ligações com outros clubes e nesse sentido, no âmbito da promoção dos seus talentos, fui convidado a ir ao Guimarães mostrar o meu futebol.

C: Já marcaste golos no Lusitano? Quantos?

J: Tenho jogado um pouco mais recuado no terreno, como organizador de jogo, mas já marquei um golo num livre directo e voltei a marcar mais um na recente Super Taça de Évora.

C: Como tem sido a tua relação com os novos colegas, direcção, e os adeptos?

J: O Lusitano é uma verdadeira família e fui muito bem recebido por todos. Sou reconhecido e acarinhado pelos adeptos, gosto muito de todos os meus colegas, que me apoiam nos treinos e jogos; e julgo que a direcção tem feito tudo para que eu me sinta em casa.

C: Qual diferença entre os adeptos portugueses e os santomenses?

J: Acho que os adeptos santomenses são mais efusivos e vivem o jogo com maior intensidade, mas não quer dizer que os portugueses não vivem os jogos da sua equipa e não são afectuosos.

C: Considera como uma das grandes promessas do futebol nacional na diáspora, uma vez que actual referência, Luís Leal, já está no final de carreira?

J: Não gosto de falar de mim próprio, mas não nego que sinto que tenho qualidade e que, Deus queira, possa vir a ser cada vez mais uma referência do futebol santomense no estrangeiro.

C: Sempre jogaste no ataque ou podes efectuar outras posições? Quais?

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J: Gosto de jogar como médio direito/esquerdo, mas tenho-me sentido mais confortável a jogar na posição 10.

C: Qual a meta que traçaste como jogador?

J: Chegar o mais longe possível. Tudo vai depender do meu trabalho e das oportunidades, claro.

C:Quando é que foste chamado pela primeira vez a selecção? Na altura quem era o seleccionador?

J:Foi em 2011. Na altura o seleccionador era Gustavo Clemente. Fiz bons jogos e também alguns jogos menos conseguidos. Cheguei a ser o melhor marcador da selecção, naquele momento. Foi uma fase muito boa para minha carreia.

C: Como é que vês este arranque do campeonato? O teu Praia Cruz, com todas estas saídas, continua a ser o sério candidato ao título? E a UDRA e o Ribqoue?

J: O Sporting será sempre um tradicional candidato, mas não podemos nunca deixar de reconhecer a mais-valia da UDRA e Riboque. Vai ser um campeonato disputado até ao fim.

C: Como é que viste a recente participação da selecção no play off, com Madagáscar?

J: Foi uma desilusão, pois era uma equipa ao nosso alcance e acho que não estivemos no nosso melhor.

C: Porquê que não foste chamado? Alguém da Federação de Futebol de São Tome e Príncipe te contactou para poderes representar o teu país?

J: Não posso comentar os motivos pelo qual não fui chamado. Julgo que estava a jogar bem pela selecção e, como sempre, mantenho a minha total disponibilidade para representar o meu país ao mais alto nível. São decisões que dependem do seleccionador e devo respeitar.

C: O que falta para termos mais atletas de São Tome e Príncipe nos campeonatos portugueses?

J: Para além de algum trabalho mais específico dos atletas a nível táctico, falta quem esteja disposto a dar oportunidades aos atletas nacionais e menos restrições às suas transferências internacionais.

C: Tens acompanhado o que se passa em são Tomé e Príncipe?

J: Sim. Sempre, especialmente quando estamos longe, sentimos muita saudade da terra.

C: O que mais sente falta do futebol santomense?

J: Da emoção dos adeptos nos estádios.

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C: Jogo que ficará na história para ti?

J: Jogo que vou querer lembrar é o jogo contra Riboque que demos 6×0, foi grande jogo e gostaria de jogar novamente.

C: Para ti quem são os três melhores treinadores nacionais?

J: É difícil escolher os melhores treinadores porque em STP os melhores treinadores são aqueles que ganham títulos, mas para mim os melhores treinadores são aqueles que eu trabalhei com eles, Tó Adão, Adriano Eusébio e o meu formador Gustavo Clemente, esses são os melhores treinador para mim.

C: Pensas um dia experimentar o futebol no arquipélago?

J: Quem sabe um dia possa voltar para contribuir para desenvolver o futebol no meu país.

C: O que gostas de fazer nos tempos livres?

O que gosto de fazer é ouvir música, ver filmes, falar com os meus amigos e a minha mulher que está em São Tomé, que morro de saudade dela; e também gosto de descansar.

C: Em que lugar de São Tomé e Príncipe nasceste?

J: Nasci na maternidade do Hospital Dr. Aires de Meneses.

Redacção

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